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Estilos de oratória – isso se aplica aos sermões?

Há uma teoria, chamada de Oratória Situacional que fala sobre os três “Os” que são descrições de estilos de comunicação (oratória).

Os três “Os” são orador, ouvinte e oratória, que se desdobram em seis estilos de oratória.

Todo mundo que ensina, que prega, que apresenta um trabalho ou seja, que se comunica frente a um público está fazendo oratória, portanto, é muito bem aplicável ao contexto do sermão oque descobriremos aqui.

Bem, vejamos:

O primeiro estilo é chamado de “Um-para-um” (1-1) que é quando o orador (o que fala) exerce sua oratória voltada para si mesmo. Isso se dá quando o orador prepara o seu discurso pensando a partir do que gosta, do que lhe chama mais atenção, daquilo que ele entende que o outro deve ouvir. Nesse estilo falamos o que nos agrada. Partimos de nosso entendimento e tudo passa a ser centrado em nós mesmos. Pode ser também quando um orador prepara o seu discurso a partir da visão de um outro orador, alguém que ele admira, um estilo mais conhecido etc. Nesse estilo o orador pensa em si mesmo quando fala.

O segundo estilo é chamado de “Dois-dois” (2-2), que então é o orador voltado para o ouvinte. O orador então prepara o seu discurso a partir da necessidade de quem vai ouvir, para suprir demandas e perguntas, dúvidas que os ouvintes tem. Nesse estilo o orador pensa no ouvinte quando fala.

O terceiro estilo é o “Três-três” (3-3). Nesse estilo o orador não está preocupado consigo e nem com o ouvinte, mas com sua oratória, com o que vai falar, como vai falar, como vai ser entendido e quais consequências terá na sua fala. Aqui ele escolhe o título, assunto, tema, estuda e formula bem o que vai falar, geralmente não é prolixo quando fala. Pode aparecer aqui uma contaminação pelo etilo anterior que é a tendência de mostrar competência para os ouvintes. Nesse estilo o orador entende que a oratória, a pregação, o sermão em si é que importa e não o que ele é ou pensa ou o que o ouvinte entende e pensa a respeito. É muito preocupado com gesticulação, com figuras de pensamento e sempre tem em vista o conteúdo e a forma de sua fala.

Mas não é só de oradores que o processo comunicativo é constituído, temos também a relação dos ouvintes consigo mesmo, com o orador e com a oratória.

O quarto estilo é o “Quatro-quatro” (4-4) em que o ouvinte não está preocupado em analisar o conteúdo do que está sendo falado, pregado, ensinado, mas procura observar o timbre da voz de quem fala, seu gestual e inflexões, o trato e a ‘fala’ do corpo, a maneira em que o orador se mexe no local onde fala etc. O ouvinte aqui teria uma exclamação dizendo o quão bem vestido estava o orador ou que sua voz é bonita e que é enfático com seus gestos e assim por diante.

O quinto é o “Cinco-cinco” (5-5), sendo o ouvinte voltado para si mesmo, que é aqui um comportamento grupal, da parte dos ouvintes. O auditório pode esta (em conjunto) disperso, por exemplo. Ou o auditório não está conseguindo se concentrar no orador. Geralmente o ouvinte não escolhe esse comportamento, mas é provocado pelo orador que não consegue prender sua atenção com o que está falando ou na sua posição diante do auditório. Fica claro aqui que as pessoas só se interessam por nós ou pelo que falamos na mesma proporção do que sentem que nós nos importamos com elas. Se uma conversa paralela, por exemplo, chamou mais atenção do que sua fala é porque a conversa se tornou mais interessante que sua preleção. Lógica.

O sexto e último estilo é o “Seis-seis” (6-6) é o ouvinte voltado para a oratória. É aqui onde o ouvinte é um observador da oratória. Analisa, observa o tema, o assunto, os argumentos e pontos da fala. Em todo lugar que formos sempre haverá um grupo de pessoas que não se importa nem com a qualidade do orador, mas o que está sendo dito. Isso é falácia, mas muitos argumentam assim, pois sempre temos o impacto do tema ou mesmo da pessoa que está falando.

Estes estilos não são fixos e nem mesmo, muitas vezes, os controlamos, mas ajudam-nos a entender nossa relação com o que falamos, com as pessoas que nos ouvem, conosco mesmo e também como ouvintes como nos comportamos diante de um pregador, diante de uma mensagem ou mesmo como somos nós em relação a nós mesmos nessas situações.

Quando falamos em Oratória Situacional não estamos prvilegiando um estilo para ser melhor que outro, mas para sabermos que estas maneiras ocorrem e que saibamos identificar no ambiente da comunicação o que está acontecendo, para que sejamos mais eficientes e eficazes nas pregações, ensino e discursos que fizermos.

Então, além de entendermos estas relações podemos também gastar um tempo para compreendemos o ambiente onde estaremos inseridos. Que tipo de público será? Qual a sua maneira de pensar? Como se comportam as pessoas desse auditório e assim por diante.

Experimente pensar a partir destes estilos da próxima vez que estiver pregando ou mesmo ouvindo um preletor, para poder identificar como se comporta e a partir disso analise o que encontrar para se conhecer melhor e ver suas potencialidades e suas fraquezas.

Gedeon Lidório

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