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Jesus fazia e ensinava

Jesus fazia e ensinava

Constantemente tenho sido abordado sobre a diferença entre o cuidado com pessoas e a pregação do evangelho, como se pudessem ser coisas distintas, principalmente quando olhamos para o que Jesus fazia e ensinava.

Os evangelhos

As pessoas que escreveram os evangelhos tentam relatar a própria visão da vida de Jesus e em outras palavras, relatam para nós o que é o evangelho (aplicado aos seus contextos distintos).

Mateus

Podemos lembrar de Mateus 5.16, por exemplo: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” onde Jesus, ensinando sobre ações humanas que glorificam a Deus fala que nossa luz deve brilhar ao ponto que os que estão ao nosso redor vejam as nossas boas obras (ninguém está falando de salvação aqui, mas daquelas ações que fazemos, constrangidos pelo amor de Cristo por nós!) e assim possam glorificar a Deus.

Lucas

Lembrando de outro escritor, de Lucas, vemos que ele escreveu 2 livros para mostrar a uma pessoa o que é o evangelho, a quem se refere esse evangelho e qual a sua abrangência.

Para ser bem direto nisso, no início do livro de Lucas ele relata, resumindo, o que ele pensa como funciona o evangelho, a partir do que ele descreveu em seu primeiro livro – ele diz que Jesus FAZIA e ENSINAVA (Atos 1.1).

Veja que ele resume o evangelho puro e simples (que é Jesus e sua vida) dizendo que ele não somente pregava, mas ele fazia – aliás ele fazia antes de ensinar.

Ele (Lucas) cria aqui no texto um molde textual utilizado aí para dar o tom do que deveria ser também com a igreja que ele passa a descrever agora no livro de Atos.

Ela deveria ser como Jesus: fazer antes de ensinar.

Não há dicotomia nisso (a não ser que alguém queira dizer que havia essa dicotomia na vida de Cristo).

Tudo o que Jesus fez está incluído nesse FAZIA e tudo o que ele falou e pregou está incluído nessa ENSINAVA.

Jesus fazia e ensinava

Ele ensinava a verdade do evangelho sobre sexualidade, por exemplo, mas antes ele empoderava mulheres marginalizadas e dava para elas a cura para sua vida e não somente para sua alma.

Ele ensinava sobre dinheiro, mas antes ele vivia de maneira ordenada sem ganância, simplicidade.

Ele ensinava sobre cura, mas antes ele tocava leprosos e assim por diante.

As duas faces do mesmo evangelho

Não dá, de qualquer maneira que alguém queira argumentar, que o evangelho não inclua em seu cerne o cuidado, a assistência, o distribuir, o caminhar com o que sofre, o curar quem não merece e que nunca virá para agradecer etc etc etc.

Se Jesus vivesse esse discurso simplista de um evangelho teórico e sem vida ele certamente não teria sido morto por aqueles que o odiaram, pois eles certamente não sentiriam o impacto das ações e palavras de Cristo na vida de Israel (e de Roma) como sentiram.

Ele impactou tanto que reverbera até hoje em nossa vida.

O evangelho puro e simples é a vida de Cristo sendo compartilhada não somente em palavras, mas sobretudo em ações que vão na direção daqueles que são o meu próximo e que impactam sua vida de forma grande e reconhecidamente amorosa.

Um perigo

Fazer essa dicotomia para com o evangelho é um perigo – é nisso que devemos tomar cuidado.

Jesus não se preocupou em distribuir pães e peixes para uma multidão que ele sabia que mais tarde iria gritar pedindo sua morte.

Ele não se eximiu de curar 10 leprosos e mesmo quando um somente voltou ele não amaldiçoou retirando a cura dos outros 9.

Quando ele instruiu o jovem rico no que fazer e ele não o fez Jesus não o amaldiçoou, antes sentiu amor por ele e teve compaixão.

Separar o evangelho em “duas vertentes” como se uma obedecesse a Jesus no seu envio dos seus ao mundo e a outra fosse um escárnio desse mesmo evangelho é cortar a palavra dizendo o que ela não diz.

Que tal aprendermos a viver o evangelho que Cristo viveu e então FAZER e ENSINAR como ele?

Gedeon Lidório

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