Recursos para pastores

2 prioridades para aqueles que pastoreiam

Falei, em outro artigo (2 prioridades no ministério pastoral para com as pessoas) sobre as prioridades de alimentar e cuidar das pessoas que estão perto de nós e de quem nosso ministério é alvo.

Quero falar aqui sobre outras duas prioridades para todos que pastoreiam – sejam pastores ou pastoras.

A cada dia, vemos mais e mais pessoas em que, para que tenham um “ministério influente” e que “faça diferença na sociedade”, submetem-se ao pesado fardo de controlar aqueles que estão sob sua responsabilidade no ministério, pensando com isso, se me permitem, pelo menos duas coisas: 1) pensam estes, os controladores, que estão realizando a vontade de Deus e 2) imaginam também que as pessoas precisam do controle então assim, por dois motivos que não se pode discutir exercem esse controle exagerado da vida daqueles homens e mulheres, muitas vezes pessoas simples, para então poder construir na sua mente um padrão – que padrão seria esse? O padrão é que aqueles que estão caminhando na fé são imaturos e devem ser tratados com dureza, com controle, com a “mão pesada” e para isso, infelizmente, esses, controladores, se utilizam inclusive do texto Bíblico para dar vazão à sua loucura.

Paulo, escrevendo aos Efésios, demonstra claramente que o que chamamos de dons de serviço (Efésios 4) foram dados para a igreja com um propósito de capacitar-nos a ministrar na vida uns dos outros.

Há duas prioridades aqui em relação a estes dons e nenhuma delas tem a ver com o controle da vida de pessoas e coisas:

1) É preciso trabalhar pensando no APERFEIÇOAMENTO das pessoas na igreja. Paulo fala o seguinte: os dons de serviço ministerial foram concedidos às pessoas para que se possa, através da utilização deles, aperfeiçoar os santos, para que estejam prontos para o ministério cristão e assim edificando o corpo de Cristo.

2) É preciso trabalhar este aperfeiçoamento até que todos cheguemos à MATURIDADE na vida cristã. Essa maturidade tem a ver com chegar até uma UNIDADE DE FÉ (os pensamentos, palavras e ações dos cristãos precisam falar a mesma linguagem, além de estarem focadas na mesma pessoa, Cristo) e ao PLENO CONHECIMENTO do filho de Deus (conhecimento é experimental, não meramente algo intelectual), portanto é preciso conhecer Jesus plenamente em nossa vida interior e exterior, para que nossos pensamentos, palavras e ações sejam um eco da presença dele conosco.

Aperfeiçoamento e maturidade. Estas são as duas prioridades para o ministério pastoral quando se fala em crescimento e maturidade.

Até onde ir? O texto indica que o algo é a medida da plenitude de Cristo e ainda exorta dizendo que o propósito desse crescimento é para que não sejamos mais crianças, para que não haja inconstância em nós e para que não sejamos levados por qualquer doutrina falsa sendo pregada a nós.

Quando pensamos nisso, o controle da vida dos cristãos não pode e nem deve ser estabelecido, pois é preciso trabalhar na maturidade e no aperfeiçoamento destes, tornando-os adultos, pessoas que tem condições de decidir suas vidas, que tem autonomia de fé e que principalmente compreendam quem são dentro do reino de Deus.

Pessoas nunca serão maduras se estão submetidas em processos de controle, de punição, de rebaixamento e de ameaças de se perder o “bem espiritual” se saírem de debaixo da nossa bênção, de nossa proteção espiritual.

Quando nós, pastores e pastoras, teimamos em ter atitudes assim, estamos dizendo para o Espírito Santo de Deus que ele não tem poder e condições de transformar a vida das pessoas sem nossa atuação; estamos dizendo para Deus que ele não sabe o que faz ao dar liberdade de ação para seus filhos e estamos falando com Cristo que ele não pode apresentar-se como verdade que liberta, pois o cristão não pode ser livre, ele tem que ser controlado, contado e alienado.

Que Deus tenha misericórdia de nós, pastores e pastoras para que exerçamos o ministério no poder do Espírito Santo e não no poder da chibata.

Abraço,
Gedeon Lidório

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CLAUDIO FERREIRA
CLAUDIO FERREIRA
4 anos atrás

Eis uma verdade professor!