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Homicídios e suicídios em tempo de extremos e violência

Homicídios e suicídios em tempo de extremos e violência

Vez por outra, noticiados aos quatro ventos da internet, lemos e ouvimos notícias sobre suicídio de pastores e também sobre homicídios envolvendo pastores, tanto do ponto de vista de quem é morto, como de quem mata – muito se precisa falar sobre homicídios e suicídios em tempo de extremos e violência.

Seres humanos

Esta violência que tanto nos assusta nos homicídios não é uma violência diferente quando olhamos para os suicídios. A violência outro-infligida e a violência auto-infligida partem dos mesmos lugares, do interior do ser humano. Só pra lembrar: pastores e pastoras são humanos!

Elas se manifestam em palcos diferentes, mas pertencem ao mesmo teor de hostilidade e esta é com a vida humana, seja a própria, seja a do outro.

Desdobramentos

Cada um destes eventos possui, logicamente, desdobramentos diferentes, mas é temerário pensar que a violência não circula de um lugar para o outro e que o adoecimento mental, além de dezenas de outros fatores preponderantes, que já é uma calamidade pública não precisa ser visto em sua totalidade.

Creio mesmo que explicações simplistas e sensacionalistas exigindo desarmamento ou o armamento da população são manifestações legítimas, porém, com pouco valor para explicar e justificar suas próprias promulgações.

Há de se pensar no poder circulatório da violência, que pode, ao ser contida em uma vertente, mudar para outra, produzindo um estrago ainda maior.

Detalhes de especialistas

Vejamos algumas coisas: segundo Lott Jr (2015), em “Concealed Carry Permit Holders Across the United States”, do “Crime Prevention Research Center”, entre 2007 e 2014 o número de permissões para porte de armas nos Estados Unidos aumentou 156% e no mesmo período, a taxa de homicídios caiu de 5,6 para 4,2 para cada 100.000 habitantes, ou seja, houve uma queda de praticamente 25% nas taxas de homicídio. Logicamente que existem mais dados e se você quiser conferir, leia o ‘paper’ por inteiro.

Não duvido deste número. Creio que realmente deve ter caído a taxa de homicídios na proporção do crescimento de permissão de porte de arma no país, porém, quando comparamos estes estudos com outros, certamente precisaremos tratar da questão, pois também enxerga-se que, no mesmo período houve um aumento considerável na taxa de suicídios no país.

Para que tenhamos uma ideia, de acordo com a “American Foundation for Suicide Prevention”, a taxa de suicídios é de 13,26 para cada 100.000 habitantes – mais de 3 vezes a taxa de homicídios por 100.000 habitantes nos Estados Unidos – são quase 121 suicídios por dia, 50% deles foram efetuados com armas de fogo e os homens suicidam-se mais que as mulheres no país – quase 3,5 vezes mais.

Somente em 2016, aproximadamente 45 mil pessoas tiraram sua própria vida nos Estados Unidos (de acordo com o Centers for Disease Control and Prevention- CDC).

Questões bélicas

Você pode estar pensando: não é porque tem arma de fogo que o povo se suicida, claro, há outras formas de tirar a própria vida, porém, a comparação dos estudos revela que quanto mais bélico o país é (no caso específico dos Estados Unidos, que trato aqui), menor saúde mental tem na população e certamente essa péssima saúde mental é uma das explicações para o aumento do número de suicídios.

A questão bélica não se revela apenas no porte de arma para o cidadão, mas a maneira como se encara a vida e a morte, como se pensa em tempos de paz, interferência e guerra.

O suicídio já é a décima causa de morte nos Estados Unidos. A piora na saúde mental da população é uma das causas apontadas pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention, nos Estados Unidos) para o aumento do número de suicídios. Muitos que se encontram em estado depressivo, com pensamentos suicidas, pensamentos de violência tem medo de revelar suas intenções, não falam sobre isso e há uma tendência de se sofrer em silêncio. Vemos isso na surpresa encontrada diante de quadros como pessoas que tiram a própria vida e até mesmo em atentados como o de Las Vegas, quando há uma surpresa inclusive de pessoas que deveriam ser as mais próximas, parentes.

Contenção

Uma grande parte da sociedade contida dentro de suas casas, dentro de seus carros, dentro de suas vidas, em silêncio, que tem medo de falar sobre seus pensamentos de ódio, depressão, medo, ira e acabam por sofrer em silêncio. Esse sofrimento certamente se desloca, indo para alguma rota de saída e parece que a automutilação e o suicídio tem sido uma saída para muita gente.

Pastores e pastoras não são diferentes disso … muitos não tem com quem contar, não tem com quem desabafar, sentem-se solitários, trancafiados dentro do seu ministério.

Não adianta tamparmos o sol com a peneira e projetarmos cruamente a matemática dos números e falar que colocar uma arma na mão do cidadão resolve o problema e diminui a criminalidade, pois o dique que se faz na alma acaba por derrubar um outro muro e muita gente acaba adoecendo gravemente e irrompendo na bestialidade, na maldade, na criminalidade fantasiosa e grandiloquente como vimos em Las Vegas esta semana e também, e certamente, muitos tiram a própria vida por não suportar o peso da prisão na sua própria mente.

É simples assim! Será?!

Respostas simplistas para o tema certamente não contribuem para o aumento de segurança e saúde mental da população. É preciso construir programas sólidos, com bases fortes, que pense urgentemente, mas profundamente sobre estes temas.

Culpabilizar o governo e as entidades por não fazerem nada também não ajuda em nada. É preciso começar de algum lugar, um movimento que se levante para restaurar pessoas.

É preciso urgentemente movimentos intensos e não apenas pontuais de cuidado pastoral e principalmente, movimentos destes que se dediquem ao cuidado do pastora, da pastora, daqueles que estão à frente de pessoas em igrejas espalhadas pelo mundo.

O adoecimento, a depressão, a pressão, a angústia, o medo, o desespero, a vida urbana … enfim, há tantos fatores que ajudam e contribuem para uma vida mais cheia de dores e vazios, que é preciso tomar providências.

Será que essa realidade é somente para os Estados Unidos?

Que tal pensar mais sobre isso?

Se quiser saber mais detalhes sobre estes assuntos que lidei, acesse os links:

Report from the Crime Prevention Research Center

American Foundation for Suicide Prevention

Centers for Disease Control and Prevention 

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