Recursos para pastores

Líderes nas mãos de Deus

Deus escreve a história da redenção no mundo a partir de pessoas que ele mesmo escolhe para essa missão. Convencionou-se chamar a essas pessoas de líderes. Com isso, confere-se a essas pessoas um status equivalente aos líderes que há no mundo. Por isso, há tantas conferências, palestras e principalmente artigos e livros discutindo e refletindo sobre os lideres evangélicos. Temos de tudo, desde os livros mais elaborados e os chamados “best-sellers” que vêm dos Estados Unidos até os livros escritos por aqui mesmo, mas que no fundo são clones dos livros americanos. São todos mais ou menos previsíveis.
Dar a essas pessoas os nomes de líderes pode confundi-las e atrapalhar ainda mais o movimento evangélico brasileiro. Elas podem pensar que são realmente pessoas importantes e pior ainda é quando elas pensam que são mais importantes do que as pessoas que não são chamadas de líderes.
O que se faz necessário hoje é uma teologia do povo de Deus. Os católicos estão mais adiantados nesse tema do que os evangélicos. Os poucos livros sobre o papel do povo de Deus na missão ou no desenvolvimento da igreja são escritos por autores católicos. Precisamos de uma teologia que comece com a missio Dei, ou seja, a missão é de Deus. Não é nossa, não é da igreja, não é da denominação e principalmente não é do suposto líder. A missão é de Deus, começa com Deus e termina em Deus. Dele é a direção e dele é a gloria de tudo o que é feito. Qualquer resultado da missão deve ser colocado aos pés da cruz de Cristo.
Essa teologia tem como ponto de partida a missio Dei e tem como instrumento de realização todo o povo de Deus. O povo todo é convidado a fazer parte da missão. O povo todo recebe dons, talentos e habilidades concedidas por Deus (não por um treinamento de final de semana). Desgraçadamente convencionou-se que alguns são mais inteligentes e mais capazes e esses se reúnem e decidem por todo o povo. Infelizmente esses mais “sabidos” (algumas vezes até bem intencionados) não respeitam seus limites e decidem o que eles bem entendem e passam para o povo como sendo a vontade de Deus (esse negócio de dizer que é da vontade de Deus é uma praga mundial). O povo, que tem medo de Deus aceita ou finge que aceita. Os líderes fingem que o povo aceitou e tudo termina em pizza.
Se o ponto de partida é a missio Dei e o instrumento é a participação de todo o povo, a atitude de todos deve ser modelada no serviço. Não existe melhor e mais impactante modelo de serviço do que aquele oferecido por Jesus Cristo quando aqui desenvolveu o seu ministério. Ele veio como um humilde menino que cresceu numa família simples de trabalhadores braçais, nunca teve muitos recursos, mas tinha de sobra uma grande disposição de fazer a vontade de Deus, pois somente quem é servo tem a inclinação para fazer a vontade de outra pessoa. Tinha ainda uma grande compaixão para com os seus compatriotas, especialmente os que sofriam os que eram injustiçados ou oprimidos pelos líderes religiosos e políticos daquela época. Nunca chamou-se a si mesmo de líder, mas tinha muitos seguidores. Nunca liderou nenhuma organização famosa, mas promoveu a maior de todas as revoluções que o mundo jamais conheceu.
Quando você pensar que é um líder, cheque as suas motivações. Coloque no prumo divino as suas intenções e veja se a sua liderança é para a missão, através do serviço e para a glória de Deus.

Antonio Carlos Barro

www.sermao.com.br

guest
1 Comentário
Newest
Oldest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments
Evandro
Evandro
5 anos atrás

Excelente artigo!