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Suicídio pastoral é um tabu

sucidio pastoral

É tabu por que ele é muitas vezes produto de outro tema proibido aos pastores: a depressão. O pastor não pode ter depressão. É pecado, ele não é crente, não é consagrado, etc.

No Brasil não se toca no assunto. Pesquisando no Google descobri um artigo no Facebook em 2013. O artigo teve exatamente duas curtidas. Por ser um pouco extenso, não deve ter sido lido. Leiam as notas abaixo:

-Em 3 Junho 2015, foi noticiado que o Pr. Phil Lineberger, ex-presidente da Convenção Geral Batista do Texas, USA., cometeu suicídio após sofrer por um longo tempo com a depressão. O pastor deixou sua esposa, três filhas e 10 netos. Quatro anos antes, o Pr. Lineberger havia feito o funeral de seu grande amigo Pr. John Petty, que também se suicidou após um longo período de depressão.

-Em 28 de maio 2015, foi noticiado o suicido do Pr. Seth Oiler, 42 anos, que após ter um caso com uma pessoa de sua igreja, se matou dentro das dependências da igreja, deixando a mulher e três crianças.

-Em agosto de 2015, o pastor e professor de teologia, John Gibson (56) tirou a vida após ver o seu nome publicado por hacker que haviam invadido um site de casos extra-conjugais. Sofrendo depressão e temendo perder seu emprego, Gibson encontrou no suicidio a solução de seus problemas.

-Em Agosto de 2014, Pastor George “DB” Antrim III, que tomava conta das famílias de sua igreja, tirou a sua vida no domingo entre os dois cultos de sua igreja.

-Em 2013 num período de 40 dias três pastores se suicidaram: Rev. Teddy Parker Jr., 42, pastor da Bibb Mount Zion Baptist Church em Macon, Georgia se mata com um tiro. Ed Montgomery, 49, pastor da Full Gospel Christian Assemblies International Church, Hazel Crest, Illinois se matou em frente de seu filho por não suportar a morte de sua esposa um ano antes de aneurisma cerebral. Isaac Hunter, 36, pastor na cidade de Orlando, Florida, admitiu um caso seguido de divórcio. Também tirou a sua vida.

Falando sobre sua própria depressão e por vezes com pensamentos suicidas, Rev. Mark H. Creech aponta três causas que levam a doença:

Para começar, eu simplesmente não cria que um cristão espiritual poderia surtar. Essa abordagem ao problema me manteve em negação por muito tempo e adicionou expectativas irracionais sobre mim mesmo, causando o transtorno de só piorar a situação.

Eu usava uma máscara como tantos ministros. Eu estava protegido e não podia permitir que ninguém soubesse o quão profundamente eu estava sofrendo. Eu pensei que eu iria perder a confiança das pessoas se elas soubessem sobre minhas lutas. Então eu mantive uma boa aparência e nunca iria expor minhas vulnerabilidades – a minha humanidade.

Eu não percebi a importância de cuidar do meu corpo. A saúde mental é associada em muitos aspectos à saúde física. No meu caso, eu trabalhava longas horas no escritório, me alimentava de fast-food, bebia um monte de refrigerantes e comia um monte de barras de chocolate. Além disso, eu não tinha a prática de exercícios. Não demorou muito para que este estilo de vida, combinado com as pressões do pastorado iriam tomar conta tanto da minha mente e do meu espírito.

Na nota de despedida, o pastor Hunter escreveu aquilo que é a grande mentira do suicídio: “Eu me tornei o que eu nunca quis ser, um fardo para aqueles que eu mais amo.” Ninguém, por maior que seja o problema que esteja enfrentando, se torna um fardo tão grande que a única solução venha a ser a morte.

Em 2013, Jennifer M. Hecht disse que “rejeitar o suicídio é um grandioso ato dentro da comunidade”. Ela afirma que permanecer vivo é um testemunho de coragem e que, portanto, contribui para que os outros também continuem vivos.

A cultura do sucesso, a pressão da igreja, o ministério bem sucedidos de outros colegas, o pecado, o fracasso e tantas outras coisas contribuem para que os pastores fiquem sozinhos e desnorteados.

É imperativo que você tenha um amigo para compartilhar suas lutas e dúvidas. Não há necessidade de você ser o que não precisa ser e nem ser o que não quer ser. Se perceber que está deprimido a melhor coisa é ir ao médico.

A sua vida é o seu tesouro – dado por Deus.

Que ele lhe fortaleça os passos.

ACBarro

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